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23 de junho das 18:00 às 21:00
Há um trem que percorre a mesma rota há décadas. Quem o colocou nos trilhos pela primeira vez sempre esteve ali, atravessando paisagens, tempestades, silêncios e manhãs douradas. O maquinista atual conhece cada curva como se fosse parte do próprio corpo, mas carrega a inquietação de que, em algum momento, precisará ensinar alguém a assumir seu lugar. Os vagões, alinhados como capítulos de uma história antiga, guardam mais do que carga: guardam memórias. Alguns rangem, pedindo reparos; outros seguem firmes, puxando os demais com uma força quase invisível. Há vagões que desejam velocidade, outros que preferem a segurança do ritmo constante. E o trem, sempre ele, precisa seguir. A estrada de ferro muda com o tempo. Há trechos estreitos, longas retas, túneis que ninguém sabe ao certo onde começam ou terminam. A cada estação, o trem precisa se adaptar, trocar peças, revisar motores, decidir se permanece ou avança. Alguns acreditam que o trajeto deveria permanecer igual: outros enxergam novos horizontes além das montanhas. O grande mistério — e o encanto — desta jornada não está apenas no movimento, mas no que sustenta o trem: a esperança silenciosa de que ele continue viajando muito depois de quem hoje segura os controles.