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28 de março das 16:00 às 19:00
Escuto uma frase que ecoa há anos em empresas de todos os tamanhos:“Eu não tenho tempo para fazer gestão de pessoas. Estou consumido pela operação.” Essa é uma das crenças mais perigosas — e mais custosas
— da vida corporativa. Porque não existe operação sustentável sem gente bem conduzida, não existe entrega consistente sem um time emocionalmente regulado e não existe resultado que se mantenha quando a liderança está ausente.
A verdade é simples: o tempo do líder não deveria sobrar para pessoas — deveria começar por elas.
São as pessoas que entregam, inovam, ajustam, seguram crises, criam soluções e sustentam tudo o que a operação exige. Por isso, quando um líder diz “não tenho tempo para gente”, o que ele realmente está dizendo é: “Estou apagando incêndios que nascem, justamente, da falta de liderança.” Quase sempre, a operação consome porque as relações adoeceram, as conversas não aconteceram, os acordos não existem, os limites foram ultrapassados ou ninguém percebeu o desgaste que crescia silenciosamente.
Tempo gasto com pessoas não atrapalha a operação. Ele reduz retrabalho, ruído, conflito, turnover, ansiedade e caos.
Ele economiza tempo. É por isso que a liderança começa dentro — antes de qualquer conversa externa. Antes de qualquer cargo, todos somos líderes de nós mesmos. Conduzimos nossas escolhas, decisões, limites e caminhos,
mesmo quando não percebemos. Liderar a si é conversar com a voz interna que negocia medos, administra impulsos,
organiza pensamentos, sustenta convicções e, às vezes, precisa resgatar coragem do fundo da gaveta.
É nesse território íntimo — onde ninguém vê, mas onde tudo começa — que a liderança verdadeiramente se constrói.
Quando alguém assume um cargo formal sem ter aprendido a se liderar, leva para a equipe os mesmos nós que carrega por dentro: inseguranças, crenças distorcidas, padrões repetidos, expectativas irreais. Por isso, toda liderança que olha apenas para fora se torna frágil.