Adicionar aos Favoritos
3 de novembro das 19:30 às 21:30
Após longa experiência com pacientes classificados pela psiquiatria como “portadores de transtorno alimentar”, Marina Miranda considera que a principal questão não são os sintomas ruidosos e paradoxais dessas patologias, mas o que eles “manifestam pelo avesso” – angústias primitivas, fantasias apavorantes e defesas destrutivas que os sustentam. O trabalho clínico consiste em acolher a singularidade da pessoa e vivê-la junto dela. O risco maior é o de que as palavras do analista soem como tentativas de fazê-la “engolir” essas palavras e, com elas, os monstros que a recusa em se alimentar (ou o vomitar compulsivo do que foi ingerido) quer manter distantes, ainda que tendo o risco de morrer. Essa renúncia à onipotência exige uma equipe pluridisciplinar para atentar aos múltiplos aspectos da doença: efeitos deletérios sobre diversos sistemas do organismo, problemas emocionais intrapsíquicos e com o ambiente familiar, reclusão defensiva em seu modo de ser.Esta obra interessa não apenas a profissionais e famílias que vivenciam o transtorno alimentar, mas também ao público em geral, pois habitamos uma sociedade na qual a repressão mais violenta já não incide sobre a sexualidade, e sim sobre a alimentação e seus correlatos. Renato Mezan