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29 de agosto das 15:00 às 18:00
PSICANÁLISE E A LUTA ANTIMANICOMIAL | AS SOMBRAS DO EU | O GRITO DAS BRUXAS – GREGOR OSIPOFF | ELIZANDRA SOUZA | ARACELI ALBINO – ED. CD.G
Este livro propõe uma reflexão profunda sobre o cuidado em saúde mental a partir do encontro entre a psicanálise, a luta antimanicomial e as práticas contemporâneas de tratamento. Partindo da experiência clínica e institucional, a obra examina os efeitos da medicalização, das internações prolongadas e das formas modernas de institucionalização que, muitas vezes, silenciam o sujeito em sofrimento. Ao mesmo tempo, destaca a importância da família, da escuta clínica e da construção de vínculos como elementos centrais para um tratamento ético e singular. A participação familiar, quando articulada ao trabalho de profissionais da saúde mental, pode fortalecer o acompanhamento do sujeito, favorecer a compreensão do sofrimento e contribuir para percursos terapêuticos mais estáveis e humanizados. O livro também discute os desafios enfrentados no contexto brasileiro, entre os avanços da reforma psiquiátrica, a expansão dos serviços públicos como os CAPS e o crescimento de instituições privadas, como as Comunidades Terapêuticas. Nesse cenário complexo, questiona-se de que modo o cuidado pode evitar a reprodução de práticas de exclusão e, ao contrário, promover ressocialização, cidadania e qualidade de vida. Inspirada no legado de Freud e Lacan nas contribuições contemporâneas da clínica das psicoses, a obra apresenta a psicanálise como uma prática de escuta que resiste às respostas rápidas e às soluções padronizadas. Mais do que oferecer receitas prontas, este trabalho convida o leitor a refletir sobre uma questão fundamental: como cuidar do sofrimento psíquico sem silenciar o sujeito e sem reproduzir novas formas de confinamento? Entre experiências clínicas, debates institucionais e reflexões teóricas, o livro reafirma que desinstitucionalizar não significa apenas derrubar muros, mas transformar modos de escuta, de cuidado e de relação com o sofrimento humano. Trata-se de uma obra ética, pautada na palavra, no vínculo e na possibilidade de reconstrução e a volta da realização da vida, mesmo diante das formas mais intensas de sofrimento psíquico. E com a psicanálise pode ocupar estes lugares de tratamento no sistema público.
O livro As Sombras do Eu: Psicopatologias da Maldade, de Elizandra Souza, propõe uma reflexão sobre as origens e as manifestações da maldade humana a partir de conceitos da psicologia, da psicanálise e da psiquiatria. Em vez de apresentar respostas simples, a obra busca mostrar que comportamentos cruéis e destrutivos resultam de uma combinação complexa de fatores emocionais, psicológicos e sociais.
Este livro não é sobre magia, mas sobre a alquimia do inconsciente que forja a estrutura histérica, investigando suas transformações e as nuances que fazem ressoar seus ecos nas sutilezas da clínica contemporânea.
A história da histeria é, antes de tudo, a história de um incômodo. Desde o útero errante da Antiguidade até os divãs da contemporaneidade, a histeria tem se manifestado como um grito — às vezes silencioso, às vezes estridente — que questiona o saber estabelecido e desafia as normas de gênero e de desejo. Esse grito ecoa uma resistência ancestral: se outrora o corpo feminino que escapava ao controle era sentenciado às fogueiras sob o estigma da bruxaria e da possessão demoníaca, mais tarde foi confinado aos manuais de patologia sob o rótulo do ""furor uterino"". Em ambos os momentos, assistimos a uma espécie de caça ao enigmático: uma tentativa do poder — seja ele religioso ou médico — de domesticar um gozo que a razão não consegue capturar.
Nossa jornada começa nessas raízes históricas, quando a histeria era vista como um fenômeno do corpo, uma ""maldição"" uterina que justificou, por séculos, a marginalização do feminino.
Contudo, é no encontro de Freud com o sofrimento das histéricas que o paradigma se transforma: o grito deixa de ser um sintoma orgânico para se tornar linguagem. Através dos casos emblemáticos de Emmy von N., Dora e do desejo insatisfeito da Bela Açougueira, revisitamos o nascimento da psicanálise, em que o sonho e o lapso se tornam a via régia para o inconsciente.
Entretanto, a histeria não permaneceu restrita aos primórdios da psicanálise. Para compreendê-la em sua profundidade, avançamos para a perspectiva de Jacques Lacan, na qual a histeria é concebida como uma posição subjetiva que interroga o mestre e busca, incessantemente, um saber sobre a feminilidade. Este livro, porém, vai além do binarismo tradicional. Dedicamos um espaço fundamental à histeria masculina, desmistificando o preconceito histórico de que esse fenômeno seria exclusivo das mulheres. Ao analisar a ""fascinação mortífera"" e o caso do pintor Christoph Haitzmann, exploramos como o homem também pode ser capturado pelo drama da castração e do Édipo.
A obra transita ainda pelo campo das artes e da contemporaneidade. Através da figura de Don Juan DeMarco, discutimos o ""amante dos amantes"" e a errância da carne, descrita por Jean-Pierre Winter (2001), situando a histeria em um mundo marcado por novas formas de gozo e pela fragilidade dos laços sociais.
Por fim, chegamos aos desafios atuais. A histeria contemporânea já não se apresenta sob a forma das grandes paralisias de outrora, mas por meio de novos sintomas, que exigem do analista uma clínica renovada. O objetivo destas páginas é convidar o leitor — estudante, clínico ou curioso da alma humana — a ouvir o eco desse grito, compreendendo que a histeria, longe de ser um diagnóstico do passado, permanece como uma das mais vívidas expressões da busca humana por identidade
O livro As Sombras do Eu: Psicopatologias da Maldade, de Elizandra Souza, propõe uma reflexão sobre as origens e as manifestações da maldade humana a partir de conceitos da psicologia, da psicanálise e da psiquiatria. Em vez de apresentar respostas simples, a obra busca mostrar que comportamentos cruéis e destrutivos resultam de uma combinação complexa de fatores emocionais, psicológicos e sociais.
Este livro não é sobre magia, mas sobre a alquimia do inconsciente que forja a estrutura histérica, investigando suas transformações e as nuances que fazem ressoar seus ecos nas sutilezas da clínica contemporânea.
A história da histeria é, antes de tudo, a história de um incômodo. Desde o útero errante da Antiguidade até os divãs da contemporaneidade, a histeria tem se manifestado como um grito — às vezes silencioso, às vezes estridente — que questiona o saber estabelecido e desafia as normas de gênero e de desejo. Esse grito ecoa uma resistência ancestral: se outrora o corpo feminino que escapava ao controle era sentenciado às fogueiras sob o estigma da bruxaria e da possessão demoníaca, mais tarde foi confinado aos manuais de patologia sob o rótulo do ""furor uterino"". Em ambos os momentos, assistimos a uma espécie de caça ao enigmático: uma tentativa do poder — seja ele religioso ou médico — de domesticar um gozo que a razão não consegue capturar.
Nossa jornada começa nessas raízes históricas, quando a histeria era vista como um fenômeno do corpo, uma ""maldição"" uterina que justificou, por séculos, a marginalização do feminino.
Contudo, é no encontro de Freud com o sofrimento das histéricas que o paradigma se transforma: o grito deixa de ser um sintoma orgânico para se tornar linguagem. Através dos casos emblemáticos de Emmy von N., Dora e do desejo insatisfeito da Bela Açougueira, revisitamos o nascimento da psicanálise, em que o sonho e o lapso se tornam a via régia para o inconsciente.
Entretanto, a histeria não permaneceu restrita aos primórdios da psicanálise. Para compreendê-la em sua profundidade, avançamos para a perspectiva de Jacques Lacan, na qual a histeria é concebida como uma posição subjetiva que interroga o mestre e busca, incessantemente, um saber sobre a feminilidade. Este livro, porém, vai além do binarismo tradicional. Dedicamos um espaço fundamental à histeria masculina, desmistificando o preconceito histórico de que esse fenômeno seria exclusivo das mulheres. Ao analisar a ""fascinação mortífera"" e o caso do pintor Christoph Haitzmann, exploramos como o homem também pode ser capturado pelo drama da castração e do Édipo.
A obra transita ainda pelo campo das artes e da contemporaneidade. Através da figura de Don Juan DeMarco, discutimos o ""amante dos amantes"" e a errância da carne, descrita por Jean-Pierre Winter (2001), situando a histeria em um mundo marcado por novas formas de gozo e pela fragilidade dos laços sociais.
Por fim, chegamos aos desafios atuais. A histeria contemporânea já não se apresenta sob a forma das grandes paralisias de outrora, mas por meio de novos sintomas, que exigem do analista uma clínica renovada. O objetivo destas páginas é convidar o leitor — estudante, clínico ou curioso da alma humana — a ouvir o eco desse grito, compreendendo que a histeria, longe de ser um diagnóstico do passado, permanece como uma das mais vívidas expressões da busca humana por identidade